domingo, 22 de novembro de 2009

Querendo acreditar.

Eu te fiz um texto ontem à noite.Tinha barquinho navegando no mar,som de ondas batendo e cheiro de chuva que se aproxima.Só que a chuva foi forte demais e,insensatamente,rasguei o texto,com medo de te ver naufragar.Eu fiquei com tanto medo de te perder,que fingi que te dava a mão e você deitava no meu peito,relaxada e tranquila.Foi uma das noites mais difíceis dos últimos 10 dias,minha recuperação se dá lentamente.Só vai ter recuperação plena quando você voltar.Quando é que você vai passar aqui mesmo?Porque eu queria que você comesse o bolo que minha mãe fez,eu sei que você adora o bolo de côco dela.E,mais do que isso,queria sentir seu cheiro,suas mãos suaves,macias,como pétalas tão delicadas,tão delicadas.Tocar o seu rosto e ver nos seus olhos o brilho que se tem somente na juventude,que me foi roubada,em parte,quando você se foi.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Cansaço

Quem ganha com o meu sofrer?
Quem se diverte se eu chorar?
Que gênio maligno se empenha tanto
em me descontruir e,aos poucos,me matar?

Que dor é essa que eu sinto,
sem explicação ou sentido,
mas que é constante e presente
a todo momento.

A quem interessa ver tanto sofrimento?
Que tipo de vitória é essa?
Não sei.Só sei que sempre saio perdendo.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Técnico.

Eu vejo bruxas sobrevoando
os muros da minha escola
toda manhã.

Eu imagino espíritos loucos,
desvairados,insanos e escandalosos
presos nas paredes deste lugar.

As paredes são brancas,por serem lavadas
por lágrimas dos alunos,que insistem
em chorar por notas baixas.

Eu vejo mais do que tudo isso,
um abismo muito grande neste lugar.

É um recanto do desespero,
um monte de doidos querendo
se superar mas,no final,
acabam saindo mais vazios
do que quando entraram.

Eu sinto esse abismo me atraindo,
a ambição dos possíveis sucessos
profissionais e financeiros.

Eles nos impulsionam a tudo isso,e eu
vejo o abismo se abrir em mim,por fim.
Já não há mais volta.


OBS.:Não sei ao certo mas creio que o texto resuma um pouco (ou muito) o porquê da falta de textos no blog.Devo ficar uns dias fora daqui,como já tenho ficado.
Não há muito para se dizer.O mundo desaba à minha volta e eu não tenho o que dizer sobre isso.Simples.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Ego(mentiras)

Brincar de se conectar com o mundo em sintonias diferentes das já testadas por você nas diversas fases da sua vida sem questionar qualquer tipo de imprevisto que possa decorrer disto.E almejar sonhos nunca dantes sonhados com pessoas diferentes das já imaginadas em outros momentos de sua existência.E cantar canções dos canários,pintaroxos,melros,sanhaços,rolinhas,uirapurus e bem-te-vis.Saber distinguir as cores com as quais se deve colorir sua vida,quero dizer,lembrar que a vida pode ser pintada com cores que não cinza,preto,azul-marinho,verde-oliva e branco.Há de haver amarelo,vermelho,verde-limão,abraços,sorrisos e carinhos.Há de se ter paciência consigo mesmo porque para com os outros é fácil.É hora de aprender que você não é menor que ninguém e tem muito de bom a apresentar pro mundo.Lembrar que você não vai perder tudo que você conquistou até agora de uma hora para outra então,deve-se conceder mais liberdade a si mesmo.Abusar das pessoas que eu amo e que me amam,sem vergonha alguma,ou com algum tipo de medo de super-exposição(afinal vou contar segredos pra quem?).Lembrar que você não é igual aos outros e que ninguém nunca vai entender quão verdadeira pode ser essa frase.Manter em mente que nem sempre o que é estranho é ruim.Logo,eu sou estranho mas não sou ruim.Eu sou uma pessoa muito boa,não causo problemas a ninguém(só a mim mesmo,óbvio) e posso ser carinhoso.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Sunday Morning

Esmague com os dedos (indicador e polegar,preferencialmente) o primeiro carrapato que encontrar.Depois de fazê-lo,deguste lentamente o sangue que agora jaz em seu dedo.Pense:"este é o sangue do meu amado cachorro,que esse carrapato sugou".Sinta o ódio crescendo em você e perceba que,agora,você é 1/4 carrapato e 3/4 humano,já que acabou ingerindo também o sangue do seu cachorro.Sinta ódio do carrapato,que faz seu cachorro sofrer e,além disso,sinta ódio de si mesmo por realizar tal ato.Você agora se igualou ao carrapato.Vocês são sugadores escrotos.Perceba o ódio nascendo em você.Espere alguns minutos e perceba que você está adentrando o selvagem do selvagem,a essência,a natureza.Você faz parte dessa natureza parasitária agora.Você já não vê mais as coisas como antes,agora são olhos de carrapato,fome de carrapato,instinto de carrapato e corpo de gente.Pronto,agora sinta-se livre para começar o seu domingo.

domingo, 1 de novembro de 2009

Ladies and gentlemen

Eu não tenho muito mais a dizer.Meus textos falam sobre o meu mundo,basicamente.Seria difícil sair dele,ele está impregnado em mim.Eu sou ele e ele é eu.Eu tenho vontade,sim,de ir além do conhecido por mim,de explorar outras coisas,mas sempre fica um tom de falta de originalidade,fica piegas,mal-escrito,enfim: desastre.É por isso que fica esse tom de falta de novidade no blog.Meu blog é monótono e quase monocromático.Não coloco foto nos posts,não coloco cores mais atrativas,o foco é o texto e só ele,o que é chato no final das contas.Mas essa é a minha essência: monotonia e obviedade.
Ah,descobri essa semana que tenho uns distúrbios de personalidade gravíssimos,não devo durar muito.Mas é aquilo: acredita que tudo passa que você adia o sofrimento.Essa é a minha filosofia.Vou descobrindo quão monstro e estranho sou e fico rindo do meu distanciamento de todos.Mas é engraçado mesmo,não é?Não é?

Uma coisinha que escrevi aí:


Do mundo que conheço
todas as dores são vãs
e todas as felicidades também.

Escrevo poemas querendo
dissipar todas as dores
e querendo descrever todas as
felicidades,
que enxergo no passar dos anos,
no passar dos rostos,
no passar da vida.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A Day In The Life

Foi comprar flores sem saber quais seriam as cores exatamente.E ela sempre sabia de antemão quais flores iria comprar.Era um passo no imprevisível,o que sempre lhe parecia incômodo.Mas dessa vez parecia ser...bom.Tão bom que mesmo antes de chegar à floricultura já sentia o cheiro do frescor das flores que compraria.Era uma atividade frequente.Todo mês ela comprava flores diferentes.Quase todas morriam em um curto espaço de tempo mas,ainda assim,ela sempre comprava mais e mais flores.Para uma vida sem cor,sem a leveza e sem frescor,ela precisava usar flores para ilumina-la.Já se tornara uma obssessão.Então,ao sair de casa imaginando os múltiplos aromas possíveis,as mil cores imagináveis e as centenas de modelos de flores possíveis,foi em direção à Rua 9,onde ficava a floricultura que mais a agradava.Ela conhecia o dono desde pequena, quando sua mãe,outra aficcionada por flores,comprava Tulipas e Jasmins regularmente.Do gosto da mãe em relação às flores,ela manteve o amor por Tulipas.Talvez essa tenha sido a única coisa que ela herdou da mãe.Elas não eram parecidas fisicamente e também tinham personalidades bem díspares.
Chegando à rua 9,ela percebia sua ansiedade aumentar absurdamente a ponto de seu coração bater mais forte."Mas são só flores",ela pensava."Como pode a possibilidade de comprar flores sem saber suas cores antes deixar-me tão ansiosa e comovida?".Não sabia ela que sua fragilidade emocional era similar à fragilidade e delicadeza de uma flor.Ela não sabia ainda,ninguém nunca havia lhe contado.Das pessoas que poderiam ter contado para ela(por lhe serem próximas),duas morreram.Uma dessas pessoas foi seu maior amor durante a vida.A outra foi a sua maior amizade durante a vida.Na verdade,eram a mesma pessoa em uma só.Quando havia paixão e calor,havia beijos.Ao cansar-se da paixão,amadureceram e do amadurecimento surgiu bela amizade.Ambos se confessavam ante o outro.Eram psicólogos mútuos e isso fazia falta a ela.Agora só as flores lhe sabem os segredos mais íntimos.
No último paralelepípedo antes da calçada da loja de flores,ela parou,virou-se e olhou."Floricultura",estava escrito.E com um sorriso de quem sabe que vai ser feliz,ela limpou os sapatos no tapete e entrou.Ao entrar encontrou Bernardo,filho do dono.
_Como vai,Bernardo?
_Bem,senhora.Chegaram novas tulipas hoje.Inclusive aquela vermelha que a senhora encomendou.
_Ah,não acredito!
Ao perceber o entusiasmo da cliente,Bernardo foi prontamente buscar as Tulipas,enquanto ela observava e pegava um buquê de rosas,também vermelhas(o que ela sabia ser clichê mas adorava,não fazia diferença para ela).
_Aqui estão,senhora!
_Ah,mas que beleza.Elas têm uma coloração ainda mais viva do que tinha em mente.Lindas,lindas.Muito obrigada.Como vai seu pai?
_Muito bem.Ele deve chegar mais tarde.Foi levar minha mãe à casa da minha tia,irmã dela.
_Ah,então,assim está bom.Até a próxima,Bernardo.
_Até!