quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A Day In The Life (of Roberto)

Em sua mente as ideias não se encaixavam mais umas nas outras, não conseguia separar a realidade do sonho e esse constante torpor o deixava extremamente irritado. E foi nesse momento de noites mal dormidas, de trabalhos e resenhas diários e de muita correria, que Roberto começara a fumar. E não fumava pouco. Suas roupas fediam a cigarro, seus dentes estavam amarelados e, em seus (raros) sonhos, estava sempre fumando. Num final-de-semana em que seus amigos iam se reunir para ir a um show, Roberto achou que era melhor ficar em casa para terminar o artigo sobre Jovens Viciados que pretendia publicar no jornal da universidade. Mas ao ver que estava ficando estressado demais, resolveu ir encontrar com os amigos no tal do show, que foi uma boa merda, mas as conversas...como eles tinham assunto e como era divertido estar ali, mas ao pegar o seu cigarro, um amigo disse "Vai parar de fumar, não, cara?" e ele, que odiava quando alguém se intrometia nesse assunto, respondeu "Acabei de pegar o cigarro e é o meu primeiro da noite!","O primeiro de muitos que virão..." retrucou um outro amigo e ele já puto "Então, vão pro caralho, vocês! E eu não tenho direito de ter meus vícios? Tanta gente matando, estuprando, roubando por aí e vocês vêm reclamar do meu cigarrinho que é a única merda que me dá prazer nessa minha rotina filha-da-puta?! Tomar no cu, vocês!" E saiu meio tonto meio puto meio arrependido meio triste meio quase chorando meio em prantos às 2 da manhã no meio da Lapa. E desesperado, em lágrimas que já não paravam de vir, pensou "E eu ainda afasto quem se preocupa comigo...". Foi pra um bar próximo, era onde ele sempre ia. Não tinha Heineken, nem muito menos Stella (como sempre) mas ele gostava do dono do bar que, fosse qual fosse a hora, sempre era solicito e sorridente. E já recuperado do choro, falou ao cara atrás do balcão "Vê uma gelada aí, cara." E o dono do bar ao revê-lo depois de tanto tempo, perguntou "Por onde você andou? Se perdeu por essas ruas do Rio de Janeiro?" E ele, meio sem graça respondeu "Acho que perdi pelas esquinas da vida" Num tom de descontração, o dono do bar disse "Todo mundo se perde por essas esquinas uma vez ou outra, mas sempre tem um táxi pra levar a gente pra casa." "Acho que a metáfora do táxi não foi muito boa, não." E começaram a gargalhar às 2h30 da manhã. Depois da 3ª latinha, ele resolveu ir embora, mas lembrou que ia rachar o táxi com os amigos e ficou puto, porque ele fica muito sem graça quando tem que se desculpar logo após ter feito uma merda, mas não tinha jeito, a grana tava curta. Ligou para os 3 amigos, que não atendiam "Puta que pariu, cadê esses caras?!" E por volta da 8ª ligação que fazia, um deles atendeu, não ouvindo muito bem, mas de alguma forma, ele conseguiu se desculpar rapidamente pelo acontecido e ainda marcar de se encontrar em frente ao bar. Começava a fazer frio e estar sozinho ali já não parecia seguro e pra esquecer tudo isso..."Aí, amigão, me vê uma dose de Red Label pra esquentar." A grana que estava curta, encurtou mais ainda, mas o frio e o medo passaram. Seus amigos chegaram e ele meio bêbado meio tonto meio dizendo que ama todo mundo meio se desculpando cheio de emoção foi pra casa feliz com as pazes feitas. E mesmo sem conseguir pensar, pensou "Porra, eu amo meus amigos".



OBS.: Não pensei no título e não pensei direito enquanto escrevia o texto (cansado demais pra isso), mas deu saudade da prosa e...não foi um retorno triunfal (mesmo porque nunca tive triunfo algum) mas foi bom pra mim, tomara que seja pra mais alguém.

4 comentários:

Mari. disse...

"Todo mundo se perde por essas esquinas uma vez ou outra, mas sempre tem um táxi pra levar a gente pra casa" Pra mim foi bom, apesar de eu ainda estar por alguma esquinas dessas, esperando algum táxi...

Lucas disse...

Texto interessante, mostrando realidades de qualquer pessoa.

Mel. disse...

"E saiu meio tonto meio puto meio arrependido meio triste meio quase chorando meio em prantos às 2 da manhã no meio da Lapa."

eu adorei o trecho. e o texto!

Bárbara Reis disse...

Eu gostei do ritmo do texto,fez parecer real,fez nâo,pareceu! Há pelo menos uma meia dúzia de pessoas que se encaixa no lugar do Roberto.

Gostei,sobretudo,do final: "E mesmo sem conseguir pensar, pensou "Porra, eu amo meus amigos"."


Sei com é.