sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A Day In The Life

Foi comprar flores sem saber quais seriam as cores exatamente.E ela sempre sabia de antemão quais flores iria comprar.Era um passo no imprevisível,o que sempre lhe parecia incômodo.Mas dessa vez parecia ser...bom.Tão bom que mesmo antes de chegar à floricultura já sentia o cheiro do frescor das flores que compraria.Era uma atividade frequente.Todo mês ela comprava flores diferentes.Quase todas morriam em um curto espaço de tempo mas,ainda assim,ela sempre comprava mais e mais flores.Para uma vida sem cor,sem a leveza e sem frescor,ela precisava usar flores para ilumina-la.Já se tornara uma obssessão.Então,ao sair de casa imaginando os múltiplos aromas possíveis,as mil cores imagináveis e as centenas de modelos de flores possíveis,foi em direção à Rua 9,onde ficava a floricultura que mais a agradava.Ela conhecia o dono desde pequena, quando sua mãe,outra aficcionada por flores,comprava Tulipas e Jasmins regularmente.Do gosto da mãe em relação às flores,ela manteve o amor por Tulipas.Talvez essa tenha sido a única coisa que ela herdou da mãe.Elas não eram parecidas fisicamente e também tinham personalidades bem díspares.
Chegando à rua 9,ela percebia sua ansiedade aumentar absurdamente a ponto de seu coração bater mais forte."Mas são só flores",ela pensava."Como pode a possibilidade de comprar flores sem saber suas cores antes deixar-me tão ansiosa e comovida?".Não sabia ela que sua fragilidade emocional era similar à fragilidade e delicadeza de uma flor.Ela não sabia ainda,ninguém nunca havia lhe contado.Das pessoas que poderiam ter contado para ela(por lhe serem próximas),duas morreram.Uma dessas pessoas foi seu maior amor durante a vida.A outra foi a sua maior amizade durante a vida.Na verdade,eram a mesma pessoa em uma só.Quando havia paixão e calor,havia beijos.Ao cansar-se da paixão,amadureceram e do amadurecimento surgiu bela amizade.Ambos se confessavam ante o outro.Eram psicólogos mútuos e isso fazia falta a ela.Agora só as flores lhe sabem os segredos mais íntimos.
No último paralelepípedo antes da calçada da loja de flores,ela parou,virou-se e olhou."Floricultura",estava escrito.E com um sorriso de quem sabe que vai ser feliz,ela limpou os sapatos no tapete e entrou.Ao entrar encontrou Bernardo,filho do dono.
_Como vai,Bernardo?
_Bem,senhora.Chegaram novas tulipas hoje.Inclusive aquela vermelha que a senhora encomendou.
_Ah,não acredito!
Ao perceber o entusiasmo da cliente,Bernardo foi prontamente buscar as Tulipas,enquanto ela observava e pegava um buquê de rosas,também vermelhas(o que ela sabia ser clichê mas adorava,não fazia diferença para ela).
_Aqui estão,senhora!
_Ah,mas que beleza.Elas têm uma coloração ainda mais viva do que tinha em mente.Lindas,lindas.Muito obrigada.Como vai seu pai?
_Muito bem.Ele deve chegar mais tarde.Foi levar minha mãe à casa da minha tia,irmã dela.
_Ah,então,assim está bom.Até a próxima,Bernardo.
_Até!

2 comentários:

Bárbara Reis disse...

Muito Mrs. Dalloway.


Eu gosto de tulipas.

Gabriela disse...

Roses are roses and nothing else!!!

I like it!!

and I also like Scarlet Roses!