segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Sobre um menino de 8 anos

Saí na ponta dos pés,para que ninguém me ouvisse.Abri a porta lenta e cuidadosamente e pronto: estava livre.A rua ficava muito deserta àquela hora da noite.Era estranho alguém tão novo como eu gostar tanto de ir pra rua,mesmo que seja só pra ficar observando o mar.Acho que estar em casa me sufoca.As pessoas em casa me sufocam.Minha irmã me mataria se pudesse,minha mãe me culpa por tudo de ruim que acontece e meu pai só trabalha.Mas quando eu estava na rua...ah,que felicidade!Eu sei que não é normal sair por aí sozinho tão tarde da noite.Sei de tudo de ruim que pode acontecer.Sei que podem me assaltar,me bater e até mesmo me molestar.Mas,às vezes,esse perigo até me atrai.Então é bem simples: pego minha bicicleta,olho o mapa da minha enorme cidade(que,por sinal,só tem 16.000 habitantes) e "pego a estrada"."Hoje vou pra uma praia um pouco mais distante",pensei.E foi isso que fiz.Fui pra uma praia bem pequena mas que ficava linda ao luar.Ao chegar lá,havia um senhor fechando seu quiosque e indo pra casa.Ao ver-me sozinho ali,perguntou:"O que faz aqui a essa hora da noite?Onde estão seus pais?".E eu,já acostumado a ouvir esse tipo de pergunta,respondi tranquilamente:"Em casa.Estavam dormindo quando saí".O velho,que já começava a me cansar perguntou:"E eles não ficariam preocupados em saber que você está aqui?"Respondo:"Ficariam"."Então por que não volta pra casa?Quer uma carona?".Respondi,obviamente que não.Ele continuava lá,olhando pra mim,com pena.Não sei se pena de mim,por achar que eu estava perdido,ou se tinha pena dos meus pais por achar que eles ficariam extremamente preocupados e desesperados ao ver seu pequeno e indefeso filho fora da cama.Eu disse:"Não precisa se preocupar,não é a primeira vez que faço isso".E ele respondeu:"Espero que seja a última,menino.A região já não está tranquila.Ocorrem assaltos a toda hora.Eu mesmo tenho tido medo de sair daqui do quiosque tão tarde."Depois de dito isso,ainda bem,foi embora.Eu já não aguentava mais.Passaram-se uns 10 minutos e agora ventava mais forte.Quanto mais tempo se passava,mais eu ficava fascinado com a beleza do mar.Eu acho que gostaria de ser pescador.Seria bom ter contato com o mar todo dia.E ser marinheiro deve ser chato.Uns 5 minutos depois dessa reflexão,olho pro lado e percebo um casal chegando.Não me notaram,eu acho.Se me notassem,talvez não fizesse diferença também.Eles chegaram num carro preto,bonito,parecia ser bem novo,pois estava limpo demais.E como muitas estradas aqui são de terra,os carros nunca ficam limpos daquele jeito por muito tempo.Ela estava com um vestido bem curto,parecia o que minha mãe usava pra dormir.Ele vestia uma roupa qualquer,não lembro direito qual era.Em pouco tempo,o curto vestido que ela usava,já estava no chão e eu sentia algo estranho.Meu coração batia um pouco mais rápido e tinha outra coisa também que eu não sabia explicar muito bem,dentro da minha calça,era bom,mas eu estava ficando nervoso.E depois o homem começou a fazer umas coisas com ela e ela soltava uns barulhos estranhos,bem agudos.Era bom ver aquilo,ouvir aquilo,imagina sentir aquilo,eu pensava.Meu coração ficava mais acelerado e meu... ah,eu tenho vergonha de falar nisso,parecia estar maior do que geralmente.Eu sentia vontade de colocá-lo pra fora mas eu só conseguia ficar olhando pros dois lá na areia fazendo aquilo.Já estava engolindo em seco,meu coração estava descontrolado,então comecei a correr,peguei minha bicicleta e fui pra casa.Chegando em casa,consegui ir pra cama sem ser percebido.Mas não conseguia tirar aquela imagem da minha cabeça.Eu me sentia nervoso mas de um jeito bom,toda vez que lembrava daquela mulher soltando aqueles barulhos lá na praia.Eu queria ser aquele cara,eu pensava.E aí,fui pro banheiro,intuitivamente e comecei a fazer algo com minhas mãos,não sabia de onde tinha tirado aquela ideia.Só sei que era muito bom.





Obs.:Eu juro que por uma semana,morri de medo e vergonha de postar esse texto.Ele foi uma tentativa de não criar um texto sem dramas tão cotidianos e corriqueiros como os que geralmente exponho nos meus textos.

2 comentários:

Bárbara Reis disse...

Sinta-se à vontade,Black.

Constantemente eu tenho vergonha dos meus textos,afinal,eles costumam ser integralmente confecionais.

Mel. disse...

Hahaha, eu ainda continuo ver uma parte fofa na história!